quarta-feira, maio 29, 2024
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Portugal reconhece pela 1ª vez culpa por escravidão e massacre no Brasil e fala de reparação

Portugal foi responsável por uma série de crimes contra escravos e indígenas no Brasil na era colonial e deve pagar por isso, afirmou o presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa.

Em conversa na noite de terça-feira (23) com correspondentes estrangeiros, Rebelo de Sousa disse também que sugeriu a seu governo fazer reparações pela escravidão e afirmou que seu país “assume total responsabilidade pelos danos causados”, como massacres a indígenas, a escravidão de milhões de africanos e bens saqueados.

“Temos que pagar os custos (pela escravidão). Há ações que não foram punidas e os responsáveis não foram presos? Há bens que foram saqueados e não foram devolvidos? Vamos ver como podemos reparar isso” declarou 

Na conversa, no entanto, o presidente português não especificou de que forma a reparação será feita.

Esta é a primeira vez que um presidente de Portugal, o chefe de Estado do país, admite a culpa. No ano passado, Rebelo de Sousa expressou a opinião de que Portugal deveria se desculpar pela escravidão transatlântica e pelo colonialismo, embora não tenha feito um pedido completo de desculpas.

Entretanto, na noite de terça-feira, ele afirmou que reconhecer o passado e assumir a responsabilidade por ele é mais crucial do que simplesmente pedir desculpas.

“Pedir desculpas é a parte mais fácil”, disse ele.

Portugal foi o país que mais traficou africanos na era colonial. Foram quase 6 milhões deles, quase a metade do total de pessoas escravizadas à época pelos países europeus.

Até hoje, no entanto, autoridades do país falam pouco do crime, e as escolas também quase não abordam o papel de Portugal na escravidão transatlântica.

Em contrapartida, o período colonial de Portugal, caracterizado pela dominação em países como Angola, Moçambique, Brasil, Cabo Verde, Timor Leste e partes da Índia, muitas vezes é enaltecido como uma fonte de orgulho.

Por mais de quatro séculos, aproximadamente 12,5 milhões de africanos foram brutalmente capturados, submetidos ao tráfico humano em longas jornadas, predominantemente em navios operados por comerciantes europeus, e depois vendidos como escravos. Os sobreviventes dessas travessias forçadas foram destinados a trabalhar sem compensação em plantações no Brasil e no Caribe.

Atualmente, a noção de reparação ou outras medidas para lidar com as consequências da escravidão transatlântica está crescendo globalmente, inclusive com iniciativas para estabelecer um tribunal especial para abordar essa questão.

Fonte: Portal G1 Globo – Agência Reuters

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