quarta-feira, julho 24, 2024
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Covid-19: como evitar mortes em família e o drama do contágio dentro de casa

Nas últimas semanas, diversas reportagens publicadas na imprensa brasileira relataram o drama de famílias inteiras que pegaram covid-19 de uma só vez. Em alguns casos, vários desses indivíduos morreram poucos dias após o diagnóstico da doença. Embora não exista uma estatística oficial sobre o assunto no país, os médicos consultados pela BBC News Brasil apontam que episódios do tipo aumentaram significativamente entre fevereiro e março de 2021, momento de maior gravidade da pandemia desde que ela começou.

“Todo dia recebo ligações de amigos dizendo que precisaram internar três ou quatro pessoas da mesma família. Muitas vezes, são pessoas de gerações e idades diferentes, como pais e filhos”, relata o médico Marcio Sommer Bittencourt, do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo. E não há nenhum mistério nesse aumento de casos entre aqueles que partilham o mesmo teto: trata-se de um local perfeito para a transmissão de vírus respiratórios, uma vez que somos menos cuidadosos e tomamos poucas medidas de precaução dentro de casa.

Portanto, basta um parente sair à rua e se infectar para levar o vírus a todos os seus contatos próximos — mesmo aqueles que estão isolados há um tempão. “Como temos um aumento geral do número de casos da doença no Brasil, há uma elevação proporcional das infecções dentro das famílias”, diz o médico Wladimir Queiroz, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia. Não dá pra descartar também o papel das novas variantes do coronavírus dentro desse contexto.

“As novas cepas que estão predominando, como a P.1, têm um potencial de transmissibilidade maior que as outras, o que pode se refletir no aumento da frequência desses relatos das famílias”, completa o infectologista Ivan França, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. Mas o que fazer se alguém que divide o mesmo lar com você estiver com covid-19? A seguir, os especialistas apresentam recomendações de como diminuir o risco de contágio no ambiente domiciliar.

Contratempos e dificuldades: Queiroz observa que a prevenção da covid-19 tem uma grande barreira: o fato de o coronavírus ser transmitido mesmo por indivíduos que (ainda) não apresentam sinais da infecção. “A pessoa está sem sintomas, com poucos incômodos ou ainda não fez o teste e interage normalmente com os outros”, exemplifica o infectologista, que também é professor da Faculdade de Ciências Médicas de Santos, no litoral paulista. É nesse momento que boa parte das transmissões domiciliares acontece.

Portanto, é essencial que todos fiquem atentos aos sintomas clássicos da doença (tosse, febre, dificuldade para respirar, perda de paladar e olfato…) e procurem a orientação de um profissional de saúde o quanto antes. O mesmo recado vale para aqueles que porventura se expuseram a situações de risco, como aglomerações, ou tiveram contato próximo com alguém que recebeu o diagnóstico de covid-19. Nessas situações, vale redobrar os cuidados e adotar algumas medidas preventivas, como você verá mais adiante.

Isolado no lar: Quando você (ou alguém que mora na mesma casa) fez o teste e o resultado deu positivo, os cuidados devem ser ainda mais rígidos. “Claro que isso depende das condições de cada família, mas o ideal é que o indivíduo com covid-19 fique num quarto sozinho e se mantenha afastado dos demais”, indica França.

Se houver essa possibilidade, ele deve ter um banheiro só para si — ou então realizar uma limpeza caprichada com álcool 70% ou água sanitária após tomar banho, escovar os dentes ou fazer xixi e cocô. Toalhas, copos, talheres, pratos e outros objetos de uso pessoal não podem ser compartilhados e também precisam passar por uma higienização mais criteriosa.

É importante também que todos usem máscaras de boa qualidade, como a PFF2 ou a N95, caso precisem ficar mais próximos. “Por fim, vale tomar cuidado para que esse cômodo onde o paciente está seja bastante ventilado e tenha uma boa circulação do ar”, completa Queiroz.

Fonte: André Biernath
Da BBC News Brasil em São Paulo

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